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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SÍNDROME METABÓLICA: O IMPACTO NA MODIFICAÇÃO DO ESTILO DE VIDA

Ao longo do tempo, a urbanização trouxe grandes benefícios à população, aumentando a expectativa de vida, a disponibilidade de alimentos e a melhora nos meios de transporte. Porém, esses benefícios acarretaram mudanças no estilo de vida, como o consumo elevado de gorduras, menor grau de atividade física, estresse e tabagismo. Essas mudanças, por sua vez, provocaram elevação da ocorrência de diabetes, hipertensão e obesidade fazendo das doenças cardiovasculares a principal causa de morte no mundo.

A síndrome metabólica é um conjunto de anormalidades que compreende a coexistência variável de obesidade, hipertensão arterial, aumento da quantidade de insulina na corrente sanguínea e elevação das taxas de triglicérides, levando ao aparecimento de doenças cardiovasculares e aumentando o risco de morte em até 2,5 vezes. Esta síndrome chega a ocorrer em mais de 40% dos adultos com mais de 60 anos e não é desprezível o acometimento de adultos entre 20 e 49 anos.

A predisposição genética, a alimentação inadequada e a inatividade física estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da síndrome, cuja prevenção é um desafio mundial contemporâneo com importante repercussão para a saúde. Destaca-se o aumento da ocorrência da obesidade em todo o Brasil e uma tendência, especialmente preocupante, em crianças em idade escolar, em adolescentes e nas camadas de mais baixa renda. A adoção precoce por toda a população de estilo de vida relacionado à manutenção da saúde, com dieta adequada e prática regular de atividade física, preferencialmente desde a infância, é componente básico da prevenção.

O Brasil tem deficiência de dados nacionais com relação ao consumo alimentar da população, desta maneira, dados do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas devem ser interpretados com cuidado. Os estudos indicam que os alimentos e bebidas consumidos fora de casa tendem a ser comparativamente mais ricos em gorduras, açúcares, sal e álcool do que os consumidos nas refeições realizadas em casa.

Em geral, por pessoa, decresce o consumo de alimentos de origem vegetal, incluindo grãos, cereais, raízes, tubérculos e leguminosas, e de alimentos com amido. A produção e consumo de alimentos de origem animal, como carne e laticínios e, por essa razão, proteína animal e gordura, aumentam, bem como a produção e o consumo de óleos vegetais, gorduras, açúcar e, em geral, os alimentos altamente energéticos, processados com gorduras sólidas à temperatura ambiente, como manteiga, margarina, e ainda açúcar e sal. Portanto, a falta de conhecimento e de acesso à alimentação saudável e suas conseqüências permanecem como desafios fundamentais de saúde pública no Brasil.

A alimentação adequada para tentar combater a Síndrome Metabólica deve:

  1. Permitir a manutenção do balanço energético e do peso saudável.
  2. Reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras, mudar o consumo de gorduras saturadas para insaturadas, reduzir o consumo de gorduras trans (hidrogenada).
  3. Aumentar a ingestão de frutas, hortaliças, leguminosas e cereais integrais.
  4. Reduzir a ingestão de açúcar livre.
  5. Reduzir a ingestão de sal (sódio) sob todas as formas.

A atividade física é determinante do gasto de calorias, fundamental para o balanço energético e para o controle do peso. A atividade física regular diminui o risco relacionado a cada componente da síndrome e traz benefícios substanciais para outras doenças, como pós-infarto e insuficiência arterial periférica.
Boa alimentação e atividade física regular são investimentos vitais e cruciais. Deve-se reagir contra as mudanças do padrão alimentar para pior, afirmando que a alimentação deve voltar ao tradicional e sem os modismos que a tornam menos saudável. 

Os dados científicos disponíveis permitem concluir que:
É possível a aderência a mudanças no estilo de vida e essas promovem redução na pressão arterial, reduzem o risco cardiovascular e diminuem o risco de outras doenças crônicas, como diabetes, alterações na taxa de gorduras sanguíneas e osteoporose.

As medidas de prevenção devem ser implantadas para todas as faixas etárias, incluindo crianças, visando adequação à melhor alimentação e atividade física.

Dr. Antonio Matttos - antmattos@gmail.com - Coordenador de Estudos - Divisão de Epidemilogia Translacional/Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia
Dra. Cláudia Stéfani Marcílio
Dra. Luci Uzelin
Dr Álvaro Avezum


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

SÍNDROME PLURIMETABÓLICA



Conhecida também como metabólica, dismetabólica ou síndrome X, é um conjunto de sinais clínicos e/ou laboratoriais, acompanhados ou não de sintomas decorrentes de anormalidades metabólicas. De acordo com um protocolo apresentado e adotado pelo Programa Nacional de Educação em Colesterol (The National Cholesterol Education Program), dos EUA, ela está presente quando o indivíduo possui pelo menos três dos seguintes fatores:
  • Circunferência abdominal acima de 88cm para mulheres e 102 cm para homens;
  • Elevação da concentração de triglicerídeos (acima ou igual a 150mg/dL);
  • Diminuição dos níveis de HDL, bom colesterol (menor de 40 para homens e de 50 para mulheres);
  • Elevação da concentração plasmática de glicose em jejum (acima ou igual a 110 mg/dL);
  • Elevação da pressão arterial (acima ou igual a 130/85mmHg).

O distúrbio aparece por uma resistência do próprio corpo ao hormônio insulina. Os maus hábitos alimentares e a falta de exercícios físicos influenciam na síndrome. Quando há acúmulo de gordura no abdome, a insulina produzida pelo pâncreas encontra resistência para levar a glicose para dentro das células. Dessa forma, ocorre uma maior produção e liberação de hormônio, que fica circulando pelo corpo.
Como riscos para a saúde podemos destacar que o pâncreas devido à alta produção de insulina, causa a diabetes tipo 2. 

Além disso, vários órgão podem ser afetados. No fígado a resistência a essas substâncias favorece a dislipidemia, aumento do LDL (colesterol ruim) e a diminuição do HDL (colesterol bom). No rim há uma maior absorção de sódio, elevando a pressão arterial. O coração fica mais suscetível a sofrer de anginas leves até infarto agudo. Está síndrome está relacionada ainda, a tumores malignos (câncer de cólon, de mama e de prótata), doença neurodegenerativas (como mal de Alzheimer), acidente vascular cerebral, osteoartrite (desgaste ósteo-articular) e nas mulheres, alterações de fecundidade, devido à associação de vários policísticos.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pacientes com Síndrome Metabólica. É a obesidade o importante fator para o aparecimento desta. Quem apresenta índice de massa corporal (IMC) superior a 25 possui o dobro de chance de ter o problema.

A origem genética influência na ocorrência de obesidade, de diabetes tipo 2 e de hipertensão arterial. A síndrome dessa forma é associada a múltiplos genes e às relações que surgem quando eles se interagem. Os maus hábitos alimentares e a falta de atividade física influenciam diretamente para o aparecimento da síndrome, onde esses fatores afetam a resposta do organismo à insulina, determinando a resistência à sua ação, e aí o distúrbio se instaura.

A anomalia é um mal silencioso que precisa ser detectado o quanto antes. Os homens que possuem pré-disposição a ter barrigas são as maiores vítimas. Aparecem em adultos, mas podem ser detectados em crianças e adolescentes.

A forma mais eficiente de combate é a prevenção. Mesmo quando as alterações ou complicações aparecerem, a mudança no estilo de vida torna-se fundamental. No entanto, muitas vezes existe a necessidade do uso de medicamento, e em casos extremos a realização da cirurgia bariátrica (de redução do estômago) ou cardíaca, quando o coração já foi afetado. Ao eliminar o excesso de peso, extermina-se a síndrome metabólica.